segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mais Uma Dose



Foi buscando uma música que pudesse contar sobre nós dois

Que percebi que a nossa história ainda é feita de momentos que só eu vivi

Acho que se você soubesse, ficaria assustado com a falta de pudor que tenho ao seu lado

De perto, não consigo dizer metade das coisas que ensaiei pra você

Hoje mesmo te dei um abraço apertado, contar o resto é mais complicado

Não tente imaginar porque minha criatividade vai longe

Só com a presença já faz provocar...

Falta de ar, fome, sei lá!

Na minha imaginação você sempre quer mais

Mais um beijo, mais café, mais assunto

Mais açúcar, mais contato, ir mais fundo

O que você quer de verdade?

Porque pra mim “mais pimenta”, é prioridade.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Amor Acabou?




O amor que acaba nunca existiu.

O amor que é amor se transforma, se multiplica, sobrevive da maneira que for. Vira amizade, faz qualquer parada para se manter de pé. Um amor de verdade jamais regride. Sentimentos sublimes no máximo se camuflam vestidos de qualquer outro que possa ser benevolente.

O amor de verdade se esforça, dói, mas deseja o bem até a quem a dor causou. Sabe que o ódio é só uma forma de mantê-lo refém, afinal de contas, esse sentimento só pode ser dedicado a quem tanto nos importa! Falta de amor é insosso, não fede nem cheira.

Todo amor dá certo. Mas todo amor carrega consigo uma essência do “para sempre Cinderela” e acabamos por exigir mais do que é capaz de oferecer. Quer saber o que o amor de verdade oferece? Entrega. Que retorno se pode exigir de tamanha dedicação?

Vamos exigir menos e viver mais. Não se mede amor pelo tempo, tampouco pela quantidade! Não existe amar mais ou menos, muito ou pouco. Dispensa análise, rótulo, categoria. Dispensa julgamento, eternidade e "até um dia”...

Amor se vive, se respira, enobrece. Transpira, divide, fortalece.

É intenso, “é ou não é”, não se mede. Amor, amor de verdade? Faz qualquer coisa, até a curva. Menos ir embora.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Malas Prontas


Tenho que ir.

As peças cor de rosa precisam ser doadas, vão vestir outra princesinha, deixá-las passear e conhecer outros castelos.

O meu de areia ficou na praia, junto com todos os brinquedos. Agora é sólida a construção.

Minha criança se entristece e bate o pé, quer viver tudo de novo.

Meu pai argumenta, precisa contar uma nova versão da história...

O adulto percebe o caminho e se manifesta. O pai de um lado e a criança de outro.

Os três de mãos dadas caminham juntos, mas em algum breve momento, terão que se despedir de vez.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Resgate



Às vezes o desejo mora na alma e pode ser que nada acalme que não o olhar
Ainda assim, qualquer que seja o significado de uma quarta cinzenta, desejo ir pra casa e friorenta, logo me deitar
Amanhã vai ser mais um dia, que com você eu queria e não vou estar

Com raiva afasto o silêncio que perturba, chega e abusa, é inconsequente
Sua distância dá segurança, a presença balança e trapaça a mente
E como o ditado mesmo diz a verdade é que “quem cala consente”

Estou certa de que fugir não adianta, é exatamente em você que o meu pecado está
Um pedaço tão importante e nesse instante te pertencer
Quem é você para chegar e arrastar um bocado de mim, e do mesmo “mim” se perder?

A lembrança machuca e eu não vou me esforçar
Quem sabe com um valor de resgate posso encontrar
Você seria capaz eu diria, de trazer numa maleta apertada a parte que me falta e negociar

O pior é que essa história me atenta
O bandido roubou da mocinha e não quer se entregar
Mas a cena esquenta porque ele não segue sozinho, no meu roteiro a mocinha é má

O bandido quase agredido pensou ser vingança
Olha para ela assustado ainda armado sem entender muito bem
Ela sem pressa levanta, tão leve que dança, vai e “passar bem”

O bandido atrapalhado não entende a mocinha não lhe cobrar 1 centavo
Abusou desse jogo vestindo uma personagem que lhe caiu muito bem
Afinal de contas todo o tempo o que ela mais queria era mesmo ser refém

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Breve Oração




Vou soprar da minha vida tudo aquilo que não me faz bem

Vou soprar palavras rudes e malditas

Alguma idéia aflita

Ou qualquer ansiedade perdida

Vou soprar para bem longe as energias ruins

E qualquer escuridão enxerida

Vou soprar as pessoas que não me desejam o melhor, mostrar quanta energia gastam com a vida alheia

Sugerir que elas façam do próprio tempo algo Divino, que corre como o sangue em nossas veias

Mas para elas vou investir alguns minutinhos e orar, pedir a Deus que lhe conceda as mesmas bênçãos que me dá

Com a mesma suavidade deixarei o sopro levar, desejando sempre o bem sem olhar a quem

Então amanhã quando eu acordar o tempo pode ficar livre para poder virar

Porque se por acaso isso acontecer, é o cheiro da primavera que vou receber!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

João e Maria




Às vezes a gente entra em um buraco tão negro que só percebe a profundidade depois que sai de lá.
Não devo dizer que não sabia, apenas que não acreditava mais existir vida fora dele. Mesmo uma das minhas músicas preferidas dizendo “Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez, eu sei!”, saber é tão pequeno quando não se acredita que se torna um verbo inalcançável, quase inexistente. Eu não costumo abandonar a esperança na primeira esquina, mas o fato é que eu nem lembrava mais onde havia deixado. Não existia trilha no caminho, talvez João e Maria tenham se perdido para sempre nessa história. O fato é que a casa de doces era mesmo amarga demais para ser boa morada. Chocolates, pirulitos, balinhas e sorvetes eram válvulas de escape muito sedutoras, capazes de deixar qualquer bruxa farta de felicidade. Maria se perdeu de João, que passou a acreditar que ele a havia abandonado, e mesmo encontrando Pedro, Matheus e Gabriel não acreditava em mais ninguém. Vagou muito tempo com os seus únicos companheiros, os doces, que pareciam preencher e compreender o seu vazio. Maria se acostumou com a vida dessa forma, rumo a uma estrada cada vez mais sozinha e auto-suficiente, não precisava de ninguém. Um dia Maria acordou com uma luz muito intensa machucando seus olhos e resolveu procurar de onde ela vinha... Caminhou em direção a ela e encontrou uma casinha. Percebeu que a luz vinha da janela e resolveu entrar sem bater. Lá encontrou estantes com muitos livros. Ela gostava tanto de ler! Mas também havia se esquecido, mal sabia qual havia sido o último. Ao tentar alcançar um que lhe chamara a atenção na última estante, se desequilibrou quando um deles caiu bem em cima da sua cabeça. Era um livro chamado “Karma”. Lembrou que em outras épocas havia se interessado por esse assunto, mas não sabia ao certo do que se tratava. Devorou as páginas que pareciam saber de todos os detalhes de sua vida até aquele momento, como se pudesse explicar todos os seus passos nas entrelinhas e responder a todas as perguntas que ela havia cansado de fazer em voz alta, por nunca obter resposta. Muito emocionada com todas aquelas palavras, resolveu escolher alguns títulos para levar com ela, uma pessoa que tinha tantos livros não sentiria falta. Quando estava se retirando ouviu um barulho e resolveu se apressar.
“- Maria?”

Assustada, olhou na direção da voz que havia lhe chamado pelo nome:

“- João? Onde você estava esse tempo todo?”

“- Ao seu lado. Eu sempre vou estar ao seu lado. A nossa história não acabou aqui. Também não me perdi para sempre, apenas tive que mudar de endereço”.

“- Por que, João? Por que fez isso comigo?”

“- Porque você precisava se encontrar”.

Maria chorou copiosamente ao ver que não via mais ninguém ali.

Foi quando juntou os livros para sair de lá e escutou uma voz dizer:

“- Volte para casa, sua mãe precisa de você. Não precisa acreditar em ninguém se não quiser, mas jamais vai conseguir terminar essa história sozinha.”

Maria voltou para casa como se nunca tivesse esquecido o caminho, beijou a face de sua mãe e entendeu que ao lado dela era o seu lugar. Ainda não sabia exatamente que horas o sol voltaria a brilhar, mas não importava mais quem ia acompanhar, Pedro, Matheus ou Gabriel, quem fosse, saberia esperar.



quarta-feira, 25 de maio de 2011

Rebeldia Vem de Berço


 
E há quem ainda julgue
Cada palavra
Cada atitude

Mas da minha vida quem sabe sou eu
Não sou responsável por quem se meteu

Para você fazer parte do filme, tenho que testar
Não existe super herói, mas precisa encantar

Se meu mundo é inconstante não importa a você
Importante é a felicidade que eu posso ver

Crescer não é julgar a vida alheia
É olhar pro próprio umbigo
Encarar telhado de vidro

Invento meus roteiros, mas se o calo apertar eu encaro
Minhas conseqüências, meus erros e qualquer ato falho

Peço desculpas quando machuco
Desculpas também aceito, por isso não culpo

Minha vida é real e só eu pra encarar
Embora não custe nada lembrar

O roteiro só pode assinar
Quem a própria história tiver a fim de contar

Mas para falar com franqueza
Coloquei os defeitos à mesa

Inocente a criança divide
E só dessa forma progride

Mas se tiver que explicar para alguém
Para o alto minhas mãos eu levanto
Será para você meu Deus, que entrego todo meu pranto.